quarta-feira, 17 de junho de 2015

VELA MÁGICA DE PENA BRANCA PARA TRAZER PAZ

Uma vela de sete dias branca,
Um pouco de melaço de cana,
Um pouco de açúcar cândi,
Sete cravos-da-índia,
Sete gotas de essência de rosas,
Sete gotas de essência de verbena.
Misturar em um prato o melaço, açúcar e as essências. Untar a vela (mas não o pavio) e espetar os cravos nela, formando uma cruz (pode fazer os furinhos com a ajuda de um prego fino). A vela deve estar sem a capa de plástico. Acender a vela e pedir a ajuda deste caboclo

BANHO DE PROTEÇÃO PENA BRANCA

4 litros de água,
Um pouco de erva cidreira,
Um pouco alfavaca,
Algumas pétalas de rosa branca.
Ferver as ervas, esperar esfriar um pouco e acrescentar as pétalas.
Acender uma vela verde antes do banho.
ÁGUA DE PENA BRANCA PARA PURIFICAR A RESIDÊNCIA (receita da Obeah).
1 litro de água mineral,
Um pouco de erva cidreira,
Um pouco de arruda,
Um pouco de verbena,
Sete gotas de essência de almíscar.
Misturar as ervas e ferver. Deixar esfriar e adicionar a essência.
Acender uma vela verde e pedir a Pena Branca para benzer a água.
Depois que a vela acabar, borrifar os cantos da casa, cama e objetos pessoais.

segunda-feira, 15 de junho de 2015

Magia & Ocultismo para Iniciantes – Parte 9: Leitura

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Considere esse texto um fim. Não o fim literal da série, mas um primeiro fim planejado. Tenho apenas outro texto na manga que servirá como uma espécie de epílogo e complemento, pra cimentar tudo que já escrevi aqui. Fora isso, uma série de entrevistas que fiz no III Simpósio de Hermetismo e Ciências Ocultas que postarei nas próximas semanas. Depois, virão textos esparsos, para comentar coisas específicas. O nome da série deve mudar: tirarei o “para Iniciantes” do título. Imagino que tenha escrito para uma turma, que leu a série e cresceu no entendimento do tema, independente de ter decidido praticar ou não.
O sucesso da série foi estrondoso, e sinceramente não esperava: centenas de comentários, milhares de pageviews, emails, outros iniciados me contatando e tudo o mais. A interação é sempre o melhor: gente graduada em ordens esotéricas internacionais importantes me escreveu pra contar suas dúvidas, outros iniciantes mandaram email em busca de algum auxílio para achar seu próprio lugar entre centenas de grupos místicos, outros apenas para agradecer.
Não há coisa melhor para quem escreve.
Esse post meio de despedida é como um tapa nas costas – e um convite-meio-ideia para levar isso aqui para outro nível, escrito lá no final (não vão direto pra lá). Vocês aprenderam alguma coisa e agora é o momento de saberem seus próximos passos. Outros, com mais conhecimento, tiveram acesso a uma nova forma de pensar e entender Magia, e terão a chance de mesclarem-na às suas próprias práticas.
Sem mais delongas, conheçam agora a Biblioteca Básica de qualquer Magista iniciante ou graduado. Mas antes da lista com as indicações em si, alguns apontamentos. Eu selecionei somente livros que li (se não inteiros, ao menos 70% deles), e aqueles que falam sobre Magia. Existem outros tipos de livros recomendados para quem quer entender Ocultismo – Filosofia, Psicologia, Mitologia, Antropologia, Simbologia, etc – que variam de acordo com a linha que cada um curte e pratica, mas não dei atenção especial à eles, apenas citei um ou outro que pessoalmente me identifico muito.
E é preciso entender que pratico primordialmente Magia do Caos, somado a alguns conhecimentos de Kabbalah, Cultos Afros, Tecnomagia, alguma dose de Xamanismo modernete e algumas coisas que misturei e testei. Então fica aí a máxima: não sei tudo e nunca saberei. Existe uma tonelada de outros livros excelentes/melhores dando sopa por aí. Os que indico aqui são os melhores que conheço para iniciantes e intermediários, então não tomem como uma lista definitiva, apenas como essencial. Tudo fora de ordem para tornar as coisas mais divertidas.
Outro ponto: muitos dos livros que indico são práticos. Mais do que isso, são programas de treinamento mágico. Alguns são complexos e exigem bastante dedicação, outros são mais tranquilos (o que não é sinônimo de fácil). Todos eles têm algo em comum: disciplina. Então leia bastante, e depois caia de cabeça na prática. Não tenha medo de praticar (e espero que já estejam praticando). Último ponto: só escolhi livros em português, seja lançado por editoras, ou por grupos independentes de tradução. Caso tenham facilidade em inglês, existem listas por aí excelentes também. Procurem-nas(!), ou peçam alguma indicação aí nos comentários.
Bom, vamos à lista (não colei links de download [e quase todos eles têm versões digitais gratuitas], por considerar que buscar o material é um sinal de Vontade. Se não acharem pra baixar, recomendo o Estante Virtual).
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Liber KKK/Liber MMM (Peter Carroll) – esse é a dupla de livros básicos da Magia do Caos. Tem um programa de treinamento completo, que discorre sobre os principais atributos mágico (Xamanismo, Divinação, Feitiçaria, e por aí vai). Tudo focado em resultados. É Magia encarada como uma Semi-Ciência, um excelente ponto de partida. Nota: a presença dessa dupla de livros é a principal razão de Eu não ter incluso o classicaço Dogma e Ritual de Alta Magia, do Eliphas Levi (mas sintam-se a vontade para ler), que representa um sistema de prática mágica similar, mas considero por demais carregados de dogmas que ficaram nos séculos passados.
Principia Discordia  (Gregory Hill [Malaclypse, o Mais Jovem] e Kerry Wendell Thornley [Lord Omar Khayyam Ravenhurst]) – O Principia não é exatamente sobre Magia, mas possui uma série de técnicas de descondicionamento psíquico habilmente disfarçados de religião – o Discordianismo, famosa entre hippies subversivos, e pelo envolvimento direto com conspirações pesadas, como o assassinato de John Kennedy. Ele não é apenas um livro, mas uma série de colagens, cliparts, fanzines, e tudo mais, fruto da mente mais doida possível. Leia, pratique e instantaneamente se torne um Papa Discordiano.
Pop! Magic (Grant Morrison) – esse também considero o arroz-com-feijão de qualquer iniciante com vontade de praticar Magia do Caos. Primeiro porque Morrison é bom em convencer, especialmente os amedrontados ou preguiçosos; segundo – como o nome deixa claro – ele é pop, com linguagem clara, e exemplos que todos podem entender. E ainda possui uma frase antológica: “Ler sobre Magia é tão divertido quanto ler sobre sexo: a prática é sempre melhor” (algo assim, como ele mesmo diz: Suas memórias sobre esse livro são melhores do que ele em si”).
Psyconauta (Peter Carroll) – esse é outro volume introdutório excelente para qualquer um entender porque o autor considera Magia do Caos a coisa mais foda da atualidade (e se convencer que ele tem uma certa razão). Ele tem um estilo bem fogo-rápido, ao discorrer sobre um tema complexo em duas ou três páginas. Como disse, é um volume introdutório, excelente para você mesmo (isso mesmo, você) ir aperfeiçoando suas próprias práticas com insights únicos.
Caos Instantâneo (Phil Hine) – Phil é um dos meus autores favoritos. Ele parece um cara das ruas, enquanto Peter Carroll tem muito mais daquele jeitão acadêmico, necessário em qualquer coisa que está em seu estágio inicial. Enquanto Peter parece seu professor, Phil parece seu amigo. O livro conta com explicações sobre as principais práticas mágicas, desde rituais de proteção, aos tão conhecidos Sigilos.
Criando Entidades Mágicas (David Michael) – criar uma Entidade Mágica é o que defino como primeira atividade de um magista quando ele alcança um nível intermediário. O magista que deseja para si uma Entidade, Elemental ou Servidor, provavelmente já lançou Sigilos na Caosfera, aprendeu rituais de proteção (Ritual Menor do Pentagrama, a Cruz Cabalística, ou desenvolveu algum próprio, com deuses alinhados às práticas dele), possui um Diário Mágico constantemente atualizado, e por aí vai. Criar um Servidor demanda tempo, cuidado, energia e disciplina – mas é divertido à beça. E nesse livro estão todos os passos importantes que um Mago deve saber.
Rituais Caóticos (Diversos) – esse não é exatamente um livro, mas uma série de textos reunidos que circula pela Internet e pode ser facilmente achado. É bom para aqueles que já possuem alguma carga teórica e querem praticar – e ainda não possuem conhecimento suficiente para desenvolverem seus próprios rituais. Os ritos aqui presentes vão desde divinações com energias planetárias, à chamada Magia Entrópica (ou Negra, numa linguagem mais arcaica), de destruição de adversários.
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A Cabala Mística (Dion Fortune) – a Kabbalah é um dos principais sistemas de correspondências simbólicas da Magia Ocidental. Provavelmente por seu caráter abrangente e profundo. Esse é um dos principais livros sobre o assunto, escrito por quem entende. A Kabbalah atual, usada a torto e direito por magos e aspirantes a mago pelo mundo, pouco tem a ver com o sistema original, proposto por rabinos judeus – e isso é bom, de certo ângulo. Esse livro de Fortune é uma mistura de Teoria & Prática, além de aplicar a Kabbalah como uma espécie de mapa psíquico. Bom, leiam lá pra entender melhor!
A Árvore da Vida (Israel Regardie) – esse é bom livro pra fazer dupla, complementar e diversificar o livro acima. Enquanto Dion Fortune se dedica a Kabbalah em si, Regardie trata da Árvore como um esqueleto (ou “estante vazia”, nas palavras de Crowley, de quem Regardie foi secretário) que se relaciona com as mais diferentes práticas: Evocação, Alta Magia, Projeção, Possessão, Transe, Divinação, e por aí vai. Fundamental.
Autodefesa Psíquica (Dion Fortune) – Ataques Mágicos é um dos assuntos mais polêmicos quando se trata de Magia. Alguns dizem que é besteira, outros se dedicam obsessivamente ao assunto e terminam por destruir a si próprio. Um Ataque Mágico “”genuíno”” é algo complexo, que exige um certo envolvimento para ser perpetrado: por isso querer destruir outra pessoa é abrir as portas para a própria destruição. Aí entra esse outro livro de Dion Fortune, que envolve a Defesa Psíquica, mas naturalmente não foge de ensinar o Ataque. Leia e evite a Paranoia Total, que é um caminho bem curto para a Loucura Completa. Um adendo sobre esse livro e outros dessa lista: ele é carregado de termos extraídos do Judaísmo e Cristianismo, que muitos podem não estar familiarizados, e que basicamente contradiz as correntes mais modernas de Magia. Acho que isso faz parte do Zeitgeist da época, e não diminui em nada a importância da obra.
A Golden Dawn (Israel Regardie) – a Golden Dawn foi a mais importante ordem ocultista moderna. Ponto. Foi lá que nasceu a compreensão mais contemporânea de Magia, onde a Magia Cerimonial como a conhecemos foi desenvolvida e aprimorada, onde uma série de conceitos que influenciou praticamente todos os magistas importantes do lado de cá do Meridiano de Greenwich. Esse livro é uma descrição assustadoramente detalhada de ritos, símbolos e graus da Golden Dawn. Foi publicado em 1900, ano em que começou a fragmentação e destruição da GD, mas continua muito atual.
O Livro de Thoth (Aleister Crowley) – esse é um dos melhores livros sobre Tarot que você terá contato. Não apenas Tarot como um dos melhores (é o meu preferido) métodos de Divinação, mas como uma forma de mapeamento psíquico, de ensinamentos de Magia Sexual, de desenvolvimento mágico e de canalização de energias. Os caminhos que os Arcanos Maiores representam fazem parte de uma Jornada de auto-conhecimento que todo o Mago enfrenta – não necessariamente na ordem dos Arcanos. Ademais, o Tarot de Thoth (recomendo a compra) é uma das mais importantes obras de Crowley, e mostra o conhecimento (como o nome deixa claro) que ele adquiriu sobre magia e misticismo egípcio – e é importante levar isso em conta ao iniciar o uso dele.
Ethos (Austin Osman Spare) – esse é o mais difícil de encontrar por aí, e foi traduzido e dividido entre seus capítulos. O principal deles é o Livro do Prazer, uma obra considerada “negra” e “narcisista” até por Crowley. Spare é considerado por alguns como o magista do século passado, à frente do próprio Aleister. Motivos para isso não faltam: o sistema estabelecido por ele rompeu violentamente com as tradições, ritos e cerimônias estabelecidas até então – até mesmo pela Golden Dawn, ordem que ele fez parte por um curto período de tempo. Spare integrou uma cultura “faça-você-mesmo” à Magia, e devolveu a ela o aspecto pessoal que fora abandonado, além de resgatar novamente a Feitiçaria, considerada até então por grupos de magia ocidental como “uma prática inferior”. A Magia do Caos é basicamente uma herança da ruptura causada por Spare. Nota: como a escrita de Spare não é muito didática (até pela pouca vontade dele de popularizar seus métodos), é importante também ler obras que comentem os métodos dele: recomendo Apostila de Zos Kia, de La Sombra.
Liber Aba (Aleister Crowley) – outro clássico. Esse é a melhor compilação do trabalho mágico prático do sistema criado e difundido por Crowley. Apesar da simbologia pesada, fruto de uma mente enciclopédica, o livro possui programas mágicos extremamente bem delineados e claros – vai do Yoga às conjurações, passando por Armas Mágicas.
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As Clavículas de Salomão (autor desconhecido, tradução de Samuel  “MacGregor” Mathers) – aqui as coisas começam a ficar pesadas. Esse livro trata efetivamente de Seres Interdimensionais, seja lá como você entende a questão. Deuses, Anjos, Demônios, Elementais, e por aí vai. Um sistema completo de Invocação e Evocação está aqui, com pentáculos, círculos de proteção e assim por diante. Tudo meio matemático demais, e pouco receptivo a aventureiros e erros graves. Ainda que a maioria das entidades descritas aqui tenham ligação com sistemas judaicos (isso era comum numa época que toda a sociedade era assombrada pela Inquisição), um pouco de sabedoria ajuda qualquer iniciado a reconhecer praticamente qualquer Deus de qualquer Mitologia dentro do sistema Goético descrito aqui.
Andando Entre Mundos / Entre Dois Mundos / Tocados pelo Fogo (Phil Hine) – esses três livros formam uma trilogia de Xamanismo Urbano e Moderno. Na verdade, são as melhores obras sobre o assunto que já li. São práticas para aguçar o Instinto, ouvir os Espíritos da Cidade, desenvolver novas linguagens, controle dos Sonhos, Vidência, paisagens urbanas e muito mais. Em uma realidade que uns 85% da população vive em áreas urbanas, metade em grandes metrópoles, esses três livros formam o trabalho ideal sobre Xamanismo Moderno.
Obras complementares
O Gatilho Cósmico (Robert Anton Wilson) – RAW é o escritor que mais admiro, seguido de perto por Grant Morrison. Era um erudito, filósofo e psicólogo, mas escrevia como um marginal punk, questionando tudo e demolindo dogmas. O Gatilho Cósmico é uma autobriografia da Iniciação dele em diversos sistemas de Magia, e da investigação que empreendeu para descobrir a ligação entre a Magia Sexual da OTO e dos Illuminati com entidades da Estrela Sírius.
A Ascenção de Prometeus (Robert Anton Wilson) – esse é mais acadêmico e apresenta um sistema simbólico-psíquico moderno e completo, e por isso deve agradar os estudantes mais “sérios”. A teoria dos Oito Círculos da Consciência (desenvolvida em conjunto com Timothy Leary, ambos praticantes de Magia do Caos) é tão importante e significativa quanto a Kabbalah.
Os Invisíveis (Grant Morrison) – a obra que despertou meu interesse por Magia, além de ser a melhor obra de Morrison (um páreo duro com Patrulha do Destino). Um grupo anarquista combate seres interdimensionais que controlam as mentes humanas há séculos. Magia, Arte, teorias loucas da física, todas-as-teorias-da-conspiração-reunidas, e tudo mais possível. Isso é Os Invisíveis.
Promethea (Alan Moore) – diz a lenda que o Velho Barbudo completou quarenta anos e resolveu estudar Magia. Um dos resultados é Promethea, uma heroína que também é a versão feminina de Prometeu e se manifesta em mulheres que estudam ou escrevem sobre ela. É uma das coisas mais belas já feitas sobre Tarot, Kabbalah e Goécia, a arte de J. H. Williams III é algo insuperável.
A Deusa Branca (Robert Graves) – um estudo histórico sobre os mitos poéticos galeses, associado com um sistema mágico (que também é um alfabeto) das árvores. É um livro quase inescrutável, difícil de acompanhar o ritmo, mas é também uma das melhores obras sobre o Poder das Palavras.
O Homem e Seus Símbolos (Carl Jung) – apesar de toda a erudição e interpretação mitológica sem precedentes, Jung é ignorado pela Academia. Mas qualquer um com o mínimo de vontade de praticar Magia tem a obrigação de ler o suíço. Essa é uma das obras mais clássicas dele, ótima para entender como funciona a Psique com relação a interpretação simbólica. Se tiver com disposição, leia logo depois A Interpretação dos Sonhos, de Freud, ainda hoje uma das três melhores obras sobre o assunto já lançadas.
CAOS: Terrorismo Poético e outros Crimes Exemplares (Hakim Bey) – leia tudo de Hakim Bey, pseudônimo de Peter Lamborn Wilson. Ele é o cara que escreveu TAZ – Zonas Autônomas Temporárias. É Magia aplicada ao campo político e social, ideal para quem não gosta de ficar parado, olhando as coisas acontecerem ao redor. Esse CAOS é o melhor manual de Desobediência Civil pós-moderna, uma mistura de Magia Negra islâmica, pacifismo, arte, paganismo, práticas sexuais bizarras e por aí vai.
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Autoconhecimento
Mapa Astral – esse é um mapa básico sobre personalidade, forças e fraquezas psíquicas. É importante que seja feito por uma pessoa de confiança, porque é com ele que você poderá desenvolver suas capacidades e minar seus defeitos. É importante também entender aqui que Mapa Astral nada tem a ver com bobagens estilo horóscopo: é apenas um mapa de personalidade e contém linhas gerais a trajetória da sua vida. Um Mapa Astral completo deve levar em conta dia de nascimento, horário e lugar – e não utilizar apenas o Signo (estipulado pela posição do Sol), mas de todos os Planetas Astrológicos. Astrologia não é ciência, não é exato. É um rascunho, pra não te deixar no escuro total. Se achar que já possui conhecimento suficiente da sua própria vida, pode seguir sem ele.
Sigilo Pessoal – é uma espécie de assinatura astral, que relaciona seu nome com letras hebraicas, e posição planetária. É a versão pessoal dos Pontos Riscados de Exus, e dos símbolos de evocação de Demônios da Goécia. Pode ser utilizado na personalização e fortificação de rituais de proteção, na consagração de Armas Mágicas, e por aí vai. Se achar alguém que o faça pra você (e não será fácil), mantenha-lo em segredo. E caso entre em alguma ordem iniciática, um novo Sigilo será traçado baseado em seu nome mágico.
Búzios – se você tem alguma afinidade com Cultos e Magia Afro, recomendo ao menos uma vez na vida jogar búzios com um Pai-de-Santo de sua confiança. É bom para saber o nome de seu Exu, do Orixá de sua cabeça. e da sua mãe de cabeça (se for homem será um Orixá Masculino e se for mulher será um Feminino). Fiz o teste e não por acaso todas as minhas Entidades se relacionaram perfeitamente com as posições planetárias do meu Mapa Astral.
Sites
Morte Súbita Inc. – disparado o melhor site sobre o assunto no Brasil. Tem coisas para todos os gostos, desde textos excelentes, à coisas realmente sem qualquer valor. Vai de cada um filtrar. Dê uma olhada na coluna da Esquerda e escolha o assunto que tiver a fim de aprender alguma coisa.
Teoria da Conspiração – o site é do Marcelo Del Debbio, o ocultista mais pop do Brasil, que também ministra alguns cursos muito bons (aprendi minha base de Tarot e Kabbalah em suas aulas). Alguns dos estudos históricos sobre Magia e suas relações com as catedrais e ordens de cavalaria são excelentes.
Pronto, é o bastante para começar. Achou muito? Já se convenceu de que entrar nessa pra conseguir dinheiro é mais complicado do que trabalhar igual cachorro e ganhar dinheiro do seu patrão? Não, então comece a ler agora.
Ah, o convite que citei lá em cima: alguém que não lembro o nome agora mandou um email com sugestão de montarmos um fórum/grupo para trocarmos ideia sobre Magia, experiências pessoais, tirarmos dúvidas e tudo mais. Sem hierarquia, nada sistematizado, para evitar briguinhas e batalhas de Ego que presenciei em muitos grupos, mesmo os menores. Pensei no Facebook, mas prefiro que nos mantenhamos anônimos, e posso pensar em algo nesse sentido. O que acham? Assim centraliza todas as questões, e todos poderão ler as respostas e aprender em conjunto. E outra: quem me escreveu e Eu ainda não respondi, peço um pouco de paciência, estive envolvido em uma série de projetos pessoais e profissionais nos últimos meses e fiquei sobrecarregado. Responderei nas próximas semanas.

Magia & Ocultismo para Iniciantes – Parte 8: Seleção

Magia até o século XVIII era uma mistura de ciência e isolamento. Um mago não era um mago sem conhecer Física, Química, Linguística e diversas outras áreas de conhecimento. Mas Magia não era simplesmente conhecer ciências ocultas, mas sim participar de uma busca espiritual que integrasse o mago ao Universo ou a divindade estimada por ele. Não existia a prática mágica sem a busca pela transcendência desse mundo. Os que escapavam dessa tradição eram encarados como meros “feiticeiros”, que buscavam unicamente transformações na ordem das coisas terrestres, e não uma auto-transformação. Essa é a distinção básica – errônea e reducionista, a meu ver – entre a Alta Magia e Baixa Magia.
Existiam também necessidades subjacentes a essas obrigações. Eliphas Levi, por exemplo, fala em isolamento, dietas, privação de sono e celibato – obrigatórios pelo menos durante a iniciação do Mago, que deve percorrer um período mínimo de 40 dias, de franco isolamento. Abaixo, um excerto de Dogma e Ritual de Alta Magia no tocante ao assunto.
Um preguiçoso nunca será mago. A magia é um exercício de todas as horas e de todos os instantes. É preciso que o operador das grandes obras seja senhor absoluto de si mesmo; que saiba vencer as atrações do prazer, o apetite e o sono; que seja insensível ao sucesso como à afronta. A sua vida deve ser uma vontade dirigida por um pensamento e servida pela natureza inteira, que terá subordinada ao espírito nos seus  próprios órgãos e por simpatia em todas as forças universais que lhe são correspondentes.
Todas as faculdades e todos os sentidos devem tomar parte na obra, e nada no sacerdote de Hermes tem direito de estar ocioso; é preciso formular a inteligência por signos e resumi-la por caracteres ou pentáculos; é preciso determinar a vontade por palavras e realizar as palavras por atos; é preciso traduzir a idéia mágica em luz para os olhos, em harmonia para os ouvidos, em perfumes para o olfato, em sabores para a boca, e em formas para o tato; é preciso, numa palavra, que o operador realize na sua vida inteira o que quer realizar fora de si no mundo; é preciso que se torne um imã para atrair a coisa desejada; e, quando estiver suficientemente imantado, saiba que a coisa virá sem que ele pense por si mesma.
É importante que o mago saiba os segredos da ciência; mas pode conhecê-los por intuição e sem os ter aprendido. Os solitários que vivem na contemplação habitual da natureza, adivinham, muitas vezes, as suas harmonias e são mais instruídos, no seu simples bom senso, do que os doutores, cujo sentido natural é falseado pelo sofismas das escolas. Os verdadeiros magos práticos se acham quase sempre no sertão e são, muitas vezes, pessoas sem instrução ou simples pastores.
(…)
Aquele que quer entregar-se seriamente às obras mágicas, depois de ter firmado o seu espírito contra qualquer perigo de alucinação e temor, deve purificar-se, exterior e interiormente, durante quarenta dias. O número quarenta é sagrado, e até a sua figura é mágica. Em algarismos árabes, compõem-se do círculo, imagem do infinito, e do 4, que resume o ternário pela unidade. Em algarismos romanos, dispostos do modo seguinte, representa o signo do dogma fundamental de Hermes e o caráter do selo de Salomão: A purificação do mago deve consistir na abstinência das voluptuosidades brutais, num regime vegetariano e brando, na supressão dos licores fortes e na regularidade das horas de sono. Esta preparação foi indicada e representada, em todos os cultos, por um tempo de penitência e privações que precede as festas simbólicas da renovação da vida (LEVI, Eliphas, pag 196 a 198, versão em PDF).
Os benefícios de tais práticas são importantes, mas o próprio dogma obrigatório por trás deles torna muita coisa de suma importância até poucos séculos atrás, inúteis atualmente. E se a prática está na observação e os verdadeiros magos práticos em sua maioria são “pastores ou pessoas sem instrução”, pra que estudar? É esse tipo de contradição que está presente em parte das doutrinas mágicas dos séculos passados.
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Até o momento nessa coluna, vocês aprenderam a importância de submeter a Psique à mudanças fundamentais, a importância da respiração, da Visualização, de uma Filosofia Pessoal, da Sigilização, do Templo Astral, dos Servidores, e por aí vai. Eu achei pouca coisa de início, mas reli meus textos e cheguei a conclusão que escrevi o bastante para ligar o interruptor do interesse de vocês.
Também deve ter ficado claro que encaro a Magia como uma Ciência, uma Arte e Ferramenta, e não como uma religião ritualizada. Uma religião pode possuir uma porção ritualizada e mágica, mas a Magia está desvinculada de dogmas. Os dogmas são pessoais, e devem ser temporários e utilizados quando necessário. Por esse prisma, não existe necessidade dogmática, apenas resultados. Existem ordens que utilizam essa abordagem, como o Vodu Gnóstico – que retira toda a porção religiosa e substitui pela linguagem arquetípica. Essa também é a base da Magia do Caos.
Alguns, como Crowley (e os próprios caoístas), colocam os resultados em um pedestal intocável: não funcionou, você errou em algum ponto, ou não “movimentou energia suficiente para realizar o que você buscava”. Essa abordagem também me parece limitada: é necessário pensar que existem Forças muito maiores que nós na vastidão do Universo e talvez nossos feitiços se cruzem com a linha dos atos deles, o que pode explicar perfeitamente uma falha. Mais poder, implica em passar por cima de mais Forças, e aí por diante. Portanto, não coloque um resultado negativo como uma falha inteiramente sua. Às vezes pode ser interessante uma ou duas abordagens alternativas até para poder diversificar seus métodos.
No fim da parte 6 prometi ensinar como funciona detalhadamente uma Arma Mágica, e a utilidade do Templo Astral. Vamos lá que essa é a reta final da abordagem prática dessa coluna. Uma Arma Mágica é uma ferramenta de direcionamento psíquico/energético/espiritual. São como extensões astrais do seu corpo. Seu uso varia de acordo com o tipo de arma.
As básicas e suas correspondências foram listadas na parte 6: Adaga (Espada), Pentáculo (Moeda), Taça e Varinha (Baqueta). Essas armas devem de preferência ser confeccionadas pelo Mago e marcados por ele com sigilos pessoais e outros símbolos que os identifiquem. Elas devem ser postas em um altar pessoal e consagradas com um ritual de escolha do mago – geralmente uso incenso e marcações de sigilo para esse fim. Seu uso é similar a ferramentas muito próximas de profissionais experientes: o médico sempre usa o bisturi, um Jornalista uma caneta, um pedreiro o martelo, e por aí vai. Eles não precisam usar necessariamente o mesmo martelo a vida toda, mas é bastante provável que tenham apreço pela próprias ferramentas. Na Magia do Caos também existe a técnica de dar uma Arma pessoal para outra pessoa: o poder obtido com esse ato de desprendimento tende a ser maior do que toda a energia utilizada pela arma.
Reitero: caso possua as habilidades necessárias (não é meu caso, geralmente), produza suas próprias armas. Não precisa ser nada novo, comprado exclusivamente para esse fim. Um galho de árvore de uma árvore de 300 anos tende a ser energicamente mais poderoso (ou um melhor condutor de pacotes de informações ou ainda de rastros psíquicos) do que um galho “comum”. Existem também lendárias tabelas do poder secreto de cada espécies de árvore, utilizadas principalmente pelos galeses – se quiser mais detalhes, leia A Deusa Branca, do Robert Graves.
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Uma adaga serve para feitiços e magias relacionadas a linguística, e ao campo mental/intelectual. Serve para traçar sigilos astrais e na destruição de energias invasoras e reforço nos banimentos. Um ritual utilizando uma adaga, pode envolver o direcionamento de forças mentais a um alvo (simplesmente apontando a espada) ou proteção (o traçado de um pentagrama com uma espada ao centro, abaixo da cama em um quarto com atividade astral elevada).
Assim como todas as armas mágicas, uma adaga tem seu correspondente astral, guardada em seu Templo, que pode ser carregada em Sonhos ou Meditações e utilizadas com o mesmo poder de sua personificação física. O poder de uma Adaga pode ser reforçada no seu altar com o uso de outros símbolos, como Sigilos (úteis em quase todas as situações, como vocês já perceberam) e cartas de Tarot (cada naipe do Tarot está associado a um elemento, e consequentemente, a uma arma mágica), que podem ter o poder combinado através de um ritual simples – consagre as duas ao mesmo tempo com um incenso, por exemplo – ou algo mais elaborado, sincronizado com dias da semana e horas planetárias.
O Pentáculo/Moeda está ligado a vida terrena, especialmente a riqueza e estabilidade. Andar com um pentáculo especial na carteira amplia o poder dela de atrair dinheiro – encarar o dinheiro como uma entidade espiritual e a sua carteira como um dispositivo para atrai-lo, prende-lo e libera-lo quando necessário, pode ampliar os poderes dela – assim como consagrar um amuleto do gênero e deixar em sua mesa de escritório. Pentáculos são amuletos poderosos de proteção, relações sociais. Imprimir o poder dessas armas em seu Inconsciente através de um ritual de Gnose pode ser de grande ajuda.
Uma vez sonhei que estava dormindo em um local em que realmente dormiria daqui a uns cinco dias. No sonho, Eu acordava e era atacado por uma série de entidades sinistras e barulhentas – bem similares aos wraiths, de The Witcher 2, game que conheceria mais de um ano depois. O ataque não durou muito tempo: Eu retirei um pentáculo que estava embaixo do meu travesseiro e realizei um banimento, utilizando o mantra doTetragrammaton (vão no Google, porque tem tudo a ver com Elementos e Armas Mágicas). Funcionou.
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A baqueta/varinha é o símbolo da espiritualidade, da Vontade Mágica. Se a Adaga envolve “cortar” energias, o Pentáculo em arregimenta-las/rebate-las, a Baqueta as lança. É mais ou menos como nos clássicos usos da Varinha em esteriótipos de bruxas, e nos filmes do Harry Potter: apontar, desenhar um movimento e esticar o braço. Às vezes combinado com uma ou duas palavras de poder.
Já a Taça é um elemento bem raro de ser utilizado em rituais ordinários. Está relacionado a invocações (lembra da Bíblia dizendo que uma Besta sairá do mar? O significado está relacionado a um poder espiritual e temperamental, enquanto a besta que saiu da terra se relaciona a um poder financeiro/social) de entidades específicas, que se relacionam com o líquido que pode ser colocado na taça.
Todas essas armas têm relação com o Astral, e devem ter lugar especial em seu Templo – isso pode ser feito simplesmente através de técnicas de visualização, reforçadas periodicamente, conforme informei nos textos passados. Meu altar possui armas completamente diferentes dessa simbologia, por motivos bem pessoais e sincrônicos. Tenho o costume de comprar lembranças em lugares que viajo, sempre com o pensamento: o que posso comprar aqui que provavelmente não encontrarei em lugar nenhum. Após um certo número de viagens, me mudar de casa e arrumar meus adereços mais legais (coincidentemente, quatro) em cima de uma cômoda, coloquei os quatro dispostos em forma de quadrado e percebi que estavam alinhados com os quatro elementos. Se tornaram minhas Armas Mágicas.
Mas pra que isso? Pra que e por que praticar ou dizer praticar magia?
Como disse, Magia é uma ferramenta e um processo. Os motivos que o levam a testa-la dependem quase unicamente de você. Alguns se sentem simplesmente atraídos e experimentam sem qualquer motivo claro ou objetivo traçado. Outros querem achar atalhos para ganhos materiais, enquanto outros buscam conhecimento, Outros ainda querem controlar entidades poderosas para impressionar os inimigos (e amigos, ou possíveis namoradas).
Tudo isso pode ser alcançado através de Magia. É a mesma dualidade da Ciência que mata de forma silenciosa com uma arma química como o Fentanil, mas também salva milhares de vidas com curas para milhares de doenças. A ideologia da Ciência é um conceito pessoal, ou presente dentro da nação onde ela opera. A Magia simplesmente estuda e utiliza fenômenos que não foram observados com regularidade e rigor necessários para se tornarem ciência formal. Da mesma forma que na Magia, a Ciência possui toneladas de Teorias sem comprovação experimental, que possuem o papel de saltos filosóficos que guiam e preveem os próximos passos dela. Magia é a ciência da subjetividade, sem comprovação empírica externa ao mago.

Um estudante dedicado e obstinado de Magia pode seguir manuais prontos e chegar longe sem qualquer avanço filosófico ou evolutivo. Mas é preciso entender que geralmente se está sozinho nesse mundo. Magia é algo subjetivo, e mesmo em grupos, ordens e irmandades, um mago é alguém solitário e não exporá certos experimentos realizados por ele. Por isso a necessidade de conhecimento filosófico e teórico. Mais cedo ou mais tarde, seus atos reverberarão e chamarão a atenção de outros praticantes e entidades.
No mundo mágico não existem leis claras, não existe física, termodinâmica, polícia. Existe Caos e Experimentação. Por essa série de motivos as quatro qualidades do mago são: Saber, Ousar, Querer e Calar (leia os princípios novamente, e faça as correspondências entre os elementos e armas listados acima). Essa nova realidade subjetiva bastante ampla é um atrativo para alguns e inspira medo em outros. Se você está no segundo grupo, é melhor se contentar com a Teoria, que já é por demais excitante.

Magia & Ocultismo para Iniciantes – Parte 7: Iniciação

Por uma série de motivos que nem eu consigo explicar direito, essa série teve uma pausa de mais de sete meses. O motivo principal é, naturalmente, a morte semi-prematura do meu notebook. É um Dell Inspiron 14 com três anos de uso e do nada não ligou mais. Consegui retirar o HD e pegar os arquivos que queria, e simplesmente relaxei dessa história de escrever toda a semana. No início fiquei desesperado, depois fiquei tranquilo. Foi quase uma experiência nova, que não me trouxe problemas, já que o notebook morreu depois da minha Monografia já estar completona e revisada.
De lá pra cá li bastante, inclusive um monte de livros que estavam acumulados, e mudei bem minha rotina. Posso dizer que pra melhor. Tirei Tarot para saber os motivos disso e “uma forte sobrecarga” apareceu. Não me sentia deveras sobrecarregado, mas provavelmente estava rumando pra isso. Agora retorno para a reta “final” dessa série – pretendo seguir com partes regulares até o 10 – e depois com partes “addendum”, com assuntos mais aleatórios.
Nesse período escrevi sobre magia pra VICE, fazendo a cobertura do III Simpósio de Hermetismo e Ciências Ocultas – e arrumando alguns problemas no processo (falo sobre isso futuramente). Estou com várias entrevistas ainda não-editadas do evento e publico aqui em breve também. Geralmente também respondo as perguntas feitas nos comentários e as enviadas por email, então fiquem atentos a seção de comentários dos artigos da seção – e para maiores dúvidas, mandem um email. Mas, chega de papo!
Volto com a coluna com uma contradição, estampada no título – e com o post mais etéreo e teórico da série. Na parte 6 disse que não reservaria um texto sobre Iniciação, e aqui está ele. Magia e vivência é isso: dizer algo e tempos depois mudar de ideia elegantemente, apresentando os devidos argumentos que o motivaram. Todas as nossas verdades devem ser provisórias e nós devemos ser conscientes dos motivos pelas quais as adotamos. Quando escrevi a parte 6 parecia razoável eliminar a Iniciação do processo – agora não me parece mais. Boa parte da culpa é de um filme bizarro e único, chamado A Montanha Sagrada, escrito e dirigido pelo igualmente singular Alejandre Jodorowsky.
Assisti ao filme em meio a um tratamento contra pneumonia, após guarda-lo no HD do meu computador por um longo período – e depois transferi-lo para o notebook do meu serviço. Difícil assisti-lo em um momento mais propício, logo depois de A Estrada Perdida, de David Lynch, outra exemplar de qualidade do cinema insano. O filme é um festival bem dirigido e aparentemente sem rumo que envolve metalinguagem profunda, misticismo pop de primeira e uma série de insights bizarros misturados com crítica social da pesada. É o tipo de filme experimental que vai ao limite do limite, só possível quando criado à margem de esquemas comuns de filmagem.
Difícil esperar algo diferente de Alejandro Jodorowsky, um cara que se tornou conhecido graças às referências ao Ocultismo em suas obras e suas teorias meio diferentonas do Tarot – mais ou menos como Alan Moore fez em Promethea. A obra mais conhecida dele é Incal, que pode ser encarada como uma interpretação da jornada do Louco no Tarot – o personagem principal se chamar Difool (The Fool, o Louco, o Arcano zero do Tarot) não é à toa. A Montanha Sagrada é um Incal menos pop com (mais) LSD e soa como um manual para a iluminação criado sob medida por Jodorowsky, que no filme assume o papel de Guru Sabe-Tudo.
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A sinopse de A Montanha Sagrada fala mais ou menos o seguinte: “nove dos mais poderosos industriais e políticos dos planetas desejam obter a imortalidade. Um Alquimista (Jodorowsky) lhes fala da Montanha Sagrada da Ilha de Lótus, onde moram nove imortais, que agora têm mais de 30.000 anos. ‘Alguns homens juntam forças para assaltar bancos e roubar dinheiro’, o Alquimista conta. Mas os poderosos devem unir forças para assaltar a Montanha Sagrada e roubar desses homens sábios o segredo da imortalidade. Mas para conquistar o segredo dos imortais, nós também devemos nos tornar homens sábios”.
Parece familiar? Sim, pois isso é um resumo de qualquer jornada iniciática. Como vocês já devem ter adivinhado, a própria jornada é a iluminação/iniciação, e não o assalto aos Nove Imortais da Montanha Sagrada. O segredo final revelado pelo Alquimista, é uma metralhadora metalinguística para dar uma sacudida mental em qualquer um. Mas até chegar a esse desfecho simples e ao mesmo tempo apoteótico, Jodorowsky nos brinda com sua própria interpretação das engrenagens que movem o mundo e o que é preciso fazer para se livrar delas.
O filme começa com um típico Cristo, um vagabundo chamado de Ladrão que representa os heróis populares saídos das massas, com ascendências nobres. Mais ou menos como Hércules, também um mortal que alcança a imortalidade pelo auto-sacrifício. Ladrão só consegue a amizade de um anão sem braços e pernas, para logo depois ser crucificado e apedrejado por um grupo de crianças mal intencionadas.
Saindo dessa pequena vila, Ladrão conhece a Cidade, recheada de prazeres baratos e violência psicológica. É lá que presenciamos cenas de crítica social grotesca, como um desfile de soldados com carcaças de bezerros e uma encenação da conquista do México por Hernán Cortés… interpretada por sapos, que no final explodem (a cena é foda, por sinal). Ladrão conhece então a vida dura de um proto-Messias: um grupo de religiosos o sequestra e faz cópias dele de gesso enquanto ele dorme, e um bando de prostitutas de quinta classe o segue com o tipo de fé cega que costumamos ver nos religiosos mais ferrenhos (fiéis-prostitutas, outra metáfora).
Esse momento do filme é uma experiência puramente sensorial, praticamente sem diálogos, como uma espécie de introdução mundo-cão para chocar os mais fracos, além de mostrar o momento em que Ladrão sai do mundo terreno – Malkuth, para os Cabalistas – e inicia sua própria jornada em busca da libertação. É uma demonstração do quão doente é o mundo que vivemos, além de dar umas alfinetadas no modus operandi de governos planeta afora.
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É uma porrada mental, mas não passa de mera preparação para o que o filme reserva em seus próximos momentos. Ladrão encontra uma torre e uma forma de subir nela, e é lá que está o Alquimista, nossa porção psicológica mais iluminada, por assim dizer. Ladrão é então iniciado, em uma cerimônia que mistura Yoga, Tarot, espelhos (uma forma de auto-análise, assim como as outras duas técnicas) e sabedoria saída das próprias fezes (!).
Depois das devidas mudanças físicas, Alquimista apresenta a Ladrão “os seres mais poderosos do mundo”, representados por oito planetas mitológicos, que nada mais são que Arquétipos do Inconsciente Coletivo propostos pela Psicologia Jungiana. “São ladrões como você, mas em outro nível”, afirma ele. Ladrão é uma representação do Ego, enquanto os Planetas são formas-pensamento universais que percorrem a história humana. As duas estruturas estão ligadas, mas de forma separada.
Os planetas são heróis mitológicos, que naturalmente representam “nossos Eus” de forma bem detalhada. Alquimista descreve um a um, profundamente e com interpretações modernas geniais do papel sociológico de cada um desses Deus-Planetas. Vênus como um dono de indústrias têxteis e de moda vivendo em uma corte estilão Marquês de Sade, ou Marte como uma mulher que fabrica o ódio e armas especiais pra matar judeus (em forma de Menorá), cristãos (em forma de crucifixo) e encomendando guerras em programas de TVs é atual até hoje, e deveria ser analisado em cursos de Comunicação. Entre outros – veja por você e depois dê uma estudada no papel de cada planeta que vale a pena o esforço.
Depois dos Oito se juntar a Ladrão e Alquimista é hora de se livrar dos entraves materiais – dinheiro, o Ego (aqui chamada de Auto-Imagem, e representada por manequins anteriormente presos numa das paredes do templo iniciátivo) – e logo depois abraçar a Loucura e a Morte. Só assim, abdicando de tudo que os torna humanos, alguém pode ser Imortal, próximo dos Deuses, um Mago. Na Magia do Caos isso ocorre em todos os Rituais, Sigilos e criação de Servidores.
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Essa é a grande lição: não é necessário a separação do mundo, viver no mato ou chamar a humanidade de “gado”, mas sim treinar a mente para separar-se de tudo que o liga a ele quando necessário. Essa habilidade é a chave da Magia e o objetivo da Iniciação / Iluminação. Por isso a Iniciação é tão importante: ela é como tomar um choque e entender a natureza da Magia, é como acessar um lado escondido da própria Psique. Em um minuto você está se iniciando em uma egrégora lendo esse texto, e no outro cai em si que era apenas um texto qualquer em um blog qualquer, e depois ri do fato de dar alguma importância a um monte de pixels em um monitor.
Hoje você se inicia numa Ordem Rosacruz (ou outra qualquer, isso é um mero exemplo), e amanhã conclui que são apenas caras querendo dinheiro (situação hipótetica, antes que mandem pedras). Naquele momento você se iniciou, e aquela iniciação foi importante, mas amanhã ela pode deixar de ser primordial e você parte pra outra. É tudo parte de um processo continuamente evolutivo, se você não muda de ideia, ri do próprio passado, questiona o grão-mestre da sua Ordem, pensa se a todo momento está no caminho certo, é bastante provável que esteja errado, parado, morto. Se você não está em conflito intelectual com nenhuma ideia, com alguma pessoa, amigo, inimigo, livro ou site, isso significa que você optou por boiar em águas calmas e que sua evolução está em processo letárgico.
Robert Anton Wilson dizia que nossa experiência deveria ser contada pelo número de vezes que mudamos de ideia, e não pela idade. A capacidade de mudar de ideia quando necessário é de suma importância para o praticante de Magia, a flexibilidade intelectual é a chave do aprendizado. Rejeite dogmas, rejeite autoridade, identifique as cordinhas que mantém todos de pé! Amanhã essas habilidades serão necessárias. Quando for capaz de fazer isso, considere-se iniciado ao menos uma vez.
A Montanha Sagrada é um conjunto de técnicas – não apenas visuais e sonoras, mas simbólicas – para colocar a Iniciação ao alcance de todos, de forma quase Universal. Apesar do meu foco aqui ser bem prático, não serei dessa vez, pois como disse anteriormente, Iniciação é um assunto que varia enormemente.

Magia & Ocultismo para Iniciantes – Parte 6: Expansão

Uma coisa que já está meio clara com essa série é que, apesar dos novos textos geralmente serem semanais, não dá para vocês aprenderem tudo o que foi dito em uma semana. O motivo é simples: Magia envolve invocar muitas vezes, isto para parafrasear uma das mais importantes lições do Livro da Magia Sagrada de Abramelin. É assim que funciona o cérebro humano, seja na Psicologia, nas disciplinas escolares, na Academia, no Exército. O cérebro trabalha muito bem com rotinas, e quanto melhor planejadas e executadas, melhor a taxa de aprendizado. Esse é o real motivo das campanhas publicitárias terem tempo mínimo para serem veiculadas – e quando a empresa é boa, ela evita ao máximo mudar o slogan e a logomarca, tudo para seguir uma das máximas da Magia: Invocar muitas vezes.
Então, se você não é um cara que tem experiências místicas “naturais” (ver espíritos por aí, algum grau de telecinese, sonhos premonitórios, etc), o caminho mais natural envolve racionalidade, estudo e o uso de símbolos, justamente o que estou ensinando aqui. Em outras palavras: pratique, pratique e pratique, anote todos os resultados importantes e trace planejamentos de tempos em tempos.
É por isso que não reservei – e nem vou reservar – um capítulo intitulado Iniciação, ou algo do gênero. Primeiro por uma iniciação ser um processo contínuo na vida do mago, que a cada minuto é testado e passa por processos de aprendizado profundos e transformadores. E segundo porque iniciações ritualísticas no sentido físico não são nenhum um pouco comuns em estudantes individuais, e ocorrem com muito mais frequência em ordens esotéricas e magísticas – e o ritual de iniciação varia de ordem para ordem e (se a ordem é verdadeiramente magística) de pessoa para pessoa.
Sigilos e Servidores não são somente métodos mágicos individuais. Existe a possibilidade do uso de rituais em grupo para a criação de energias necessárias para dar força a um Servidor. Uma mostra é a lendária história de que Grant Morrison criou um Sigilo que impedisse de Os Invisíveis de ser cancelado e convidou os leitores para carrega-lo através de masturbação em um dia e hora pré-determinados. Até que ponto isso é verdade Eu não sei, mas o fato é que realmente as vendas da revista aumentaram depois. Obviamente que usar um ritual em grupo para uma tarefa que geralmente é pessoal não é um trabalho dos mais fáceis. Em primeiro lugar é necessário estabelecer um intento para o grupo, o que geralmente exclui pedidos de ordens materiais e similares. O grupo precisa possuir um objetivo mágico comum – a consagração de uma publicação, ou de armas, a criação de uma egrégora para influenciar os habitantes de um bairro, cidade ou país, e assim vai, as variáveis são praticamente infinitas.
Para algo assim dar certo, um grupo precisa criar o sigilo em conjunto, para não gerar nenhum tipo de desconfiança por arte dos outros integrantes, que podem achar que estão energizando um desejo puramente pessoal. Então, basta estabelecer um ritual mútuo, que pode ser ser feito no mesmo horário para todos (caso não estejam no mesmo local), especialmente na Lua Nova, numa segunda-feira, dia da Lua, com objetos em tom de azul ou roxo, de prata e com alguma espécie de fluído sexual, símbolo da fertilidade. Essas são só algumas possibilidades, todas associadas a Yesod, a esfera da Kabbalah identificada com a fertilidade e a criação.
Conheço poucos servidores coletivos. Posso dizer que o único que confio é Fotamecus, um servidor subversivo e viral – isto é, com a capacidade de multiplicar-se – que serve para criar formas de ludibriar o tempo, seja expandindo-o ou contraindo-o. Tá com pressa para chegar em casa? Use Fotamecus. Precisa de mais tempo para estudar no meio da madrugada? Clame por Fotamecus, que está em um eterno embate com Cronos, o deus do tempo linear e não dispensa um pouco de energia. Quanto mais adeptos, mais forte ele fica e mais energia de compressão/expansão (Yin e Yang, em outras palavras) possui e pode doar para os que o utilizam.
Fotamecus funciona como o eMule: quanto mais se doa energia para ele – através de um ritual de uso do Sigilo do servidor -, mais possibilidade de usa-lo se acumula. Obviamente que o grupo que o criou pode ter embutido alguma espécie de ganho energético pessoal com a visualização do Sigilo de Fotamecus, mas no fim, foda-se. O importante é que funciona. E bem, sem efeitos colaterais – ao menos não a curto prazo, talvez estejamos abrindo os portais para o Eschaton, nunca se sabe. Se alguém tá lucrando com isso, é porque fez algo bom e útil, ou foi bem esperto para convencer a outros que fez isso. Quer saber mais? Baixe e leia o manual de uso do Servidor e seja feliz.
Vamos a outro passo importante. Lembra dos nossos exercícios de meditação, Posição da morte e Banimento? É hora de mostrar outra utilidade para eles: a criação de um Templo Astral. Um Templo Astral é como um refúgio, e ao mesmo tempo, um lugar para operações astrais. Não é complexo de ser feito, muito pelo contrário, mas exige paciência, concentração, criatividade e inspiração.
Ache um lugar calmo, onde não será interrompido por uns 20 minutos. Sente-se com as costas eretas, e com as pernas umas sobre as outras, na Posição do Índio, meio Lótus (a posição de Ganesha) ou Lótus completa. Coloque as mãos sobre as coxas e firme a cabeça olhando pra frente. Encoste a língua no céu da boca para salivar menos. Eu chamo essa posição de Posição do Feedback Corporal, pois o corpo está completamente ligado, não há partes que não estejam posicionadas para fazer circular energia de volta para o próprio corpo. Feche os olhos.
Caso você não possa ficar sentado por um motivo qualquer, existe uma posição deitada usada por sufis e taoístas: deite de lado virado para a direita, dobre a perna esquerda formando um “4”, cruze os braços em forma de X sobre o peito, cerre os olhos e pressione fortemente a língua contra o céu da boca. É incômoda, mas fecha os principais pontos de entrada do corpo e também serve como forma de manter a energia circulando.
Respire fundo, em um ritmo contínuo da forma que ensinei lá na Parte 1. Mantenha por uns dois minutos. Relaxe todo seu corpo sem pressa até só prestar atenção a sua respiração. Depois comece a moldar seu Templo Astral, que será a base de suas operações no outro Plano, e que, se fizer direito, pode dispensar vários rituais no Plano Físico, se necessário – Eu não dispenso pela diversão que eles trazem, e pelo simbolismo e preparação, que são sempre interessantes.
Um Templo Astral pode ser qualquer coisa, solte sua imaginação. Lembra da cacofonia sem limites de Immateria, o Plano Superior da Imaginação de Promethea? É aquilo, nesse Plano você pode tudo, basta imaginar e visualizar. Pode ser desde uma sala cheia de TVs, fios e gambiarras tecnológicas baratas e decadentes, até uma caverna com tochas e poções. Se curte natureza, pode ser uma pequena cabana no meio do mato, se gosta de cidade, imagine uma cobertura de um prédio. Dá pra emular locais de seus games ou filmes favoritos também. Use sua imaginação, ela não tem limites.
No início, o lugar será pequeno, por motivos óbvios. Mas se prenda nos detalhes: paredes, decoração, pinturas, cheiro, móveis. Quanto mais associações cognitivas criar, mais fácil será voltar a ele. Pela minha experiência, somente dois itens são indispensáveis nessa primeira construção: um altar e uma cama. Imagine-se nesse local por uns cinco minutos. Quando for embora, deite na cama e durma.
Simples, acabou! Agora é só alimentar seu Templo com sua energia mental sempre que precisar. Com o tempo ele crescerá, tomará formas que você não imagina, ganhará anexos quando você trabalhar outras linhas de Magia, entre coisas similares. O importante é você visita-lo todo o dia. Tome isso como um exercício de paciência e persistência. Visualize tudo com o maior grau de realismo possível. Meu Templo cresceu enquanto Eu consagrava meu deck de Tarot e precisava visita-lo todos os dias e criava correspondências físicas para ele no Plano Material. Esse tipo de materialização e referência na Terra é sumamente importante. Se puder/quiser, anote os detalhes que criou para seu Templo em seu Diário Mágico.
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Fique pelo menos duas semanas preparando seu Templo e o fortificando (passo mais detalhes sobre isso no próximo texto). Então, é hora de se armar. Armas Mágicas, assim como muita coisa de que falei aqui, não pode ser resumido levianamente, então tenham em mente que o que coloco aqui é abreviado, e em breve farei um post somente com referências bibliográficas para vocês estudarem por uns bons tempos, caso estejam a fim. Mas, podem ir se adiantando e lendo dois meus dois blogs favoritos sobre o assunto: o Teoria da Conspiração e o Morte Súbita. Fucem, fucem de verdade e sejam felizes.
Armas Mágicas tem relação com os quatro elementos da natureza, que estão relacionados com os quatro aspectos principais do corpo. São elas, a Taça, a Espada, o Pentáculo e a Baqueta (ou varinha).
A Taça corresponde ao elemento água, e ao mundo das emoções. A correlação é óbvia, já que Magia trata de Vontade sobre o Macrocosmo (e consequentemente sobre o Microcosmo), a Taça segura a água emocional de forma racional e representa a atuação da Vontade sobre suas instáveis emoções. Emoção está associado com a água por ser igualmente imprevisível e difícil de se lidar. Também está associado a Lua – que exerce controle sobre as marés -, a esfera de Yesod, da Kabbalah e ao Inconsciente instintivo. O orixá Iemanjá está associado a esse elemento, assim como as deusas da Fertilidade, como Diana. É usada para a preparação de compostos líquidos, entre outras utilidades.
Já a Espada – alguns utilizam Adagas, o que simbolicamente também está correto – corresponde ao Ar, e ao mundo da mente e do pensamento. Sua relação com esse elemento está no fato do uso da Linguagem, que é como uma arma invisível como o ar e cortante como a Espada. Essa arma representa a canalização dessa energia mental, linguística e invisível. É utilizada para traçar Sigilos, marcar velas, entre outros.
O Pentáculo representa o elemento Terra e o corpo físico. Um Pentáculo possui o Pentagrama, símbolo do equilíbrio entre os elementos. Representa a riqueza material e atuação mágica no Plano Físico. É utilizado em rituais de prosperidade, e de atuação essencialmente física, de ordem financeira, profissional, entre outras.
Por último, a Baqueta, que representa o elemento Fogo, o Espírito. A associação com o Fogo vem do fato das baquetas serem a base para tochas, fundamentais nos séculos passados. É a principal arma mágica de um Mago, quase um extensão de sua vontade, utilizado em toda a sorte de rituais.
Como utilizar detalhadamente essas Armas? E o Templo Astral? Onde os Sonhos entram nessa história? Nas próximas semanas, aguardem.

Magia & Ocultismo para Iniciantes – Parte 5: Ordenação

Apesar de ainda ser cedo pra isso, e os exercícios e conceitos que passei provavelmente manterem vocês ocupados por pelo menos mais uns quatro meses, caso os levem a sério, já tiveram o cuidado de reler o primeiro texto e refazer o questionamento central dele: por que vocês estão fazendo isso? Por que se interessam por Magia? Por que querem se tornar um Mago (se é que querem)?
Façam isso antes de prosseguirem. Não precisam obter uma reposta definitiva, mas façam. Existe a porção Vontade no processo, principalmente nos que se proporem a praticar Feitiçaria, irem além da Filosofia e caírem de cabeça na prática. Se você não sabe o que quer, vai ser como ter um carro, carteira de motorista e não ter destino na sua cabeça. Não é exatamente ter um objetivo físico – “Estou querendo comprar um carro!!!” -, mas sim um motivo que o tenha levado a iniciar e um alvo a alcançar, por mais abstrato que ele seja, como contatar os Elementais da Maconha, por exemplo. Na verdade, você tem um destino, mas pode não saber que tem. Creio que ninguém está na Terra para passear e ver a vida passar, embora esse seja o consenso geral por aí. Pense nisso, abordaremos melhor o assunto futuramente.
Após dominarem os Sigilos e obterem resultados desejados – o item mais importante na Magia -, fazerem anotações em vossos Diários Mágicos, é hora do aviso: você cruzou a Porta e não tem mais volta. Você começou a vislumbrar o funcionamento das Engrenagens do Universo, tocou a música conforme a sua partitura. É como uma célula da sua perna direita fazer seu olho piscar. Parece impossível, mas não é. Somos todos um, lembra. Todas as moléculas são responsáveis por todos os atos do Universo… e é melhor Eu calar minha boca que isso está ficando bizarro.
Deixemos as explicações de lado, elas virão adiante. Após ter adentrado ao mundo da Magia, é hora de se proteger e organizar a casa. Não deixe mais de praticar banimentos – faça pelo menos uma vez ao dia, no lugar que você habitualmente realiza seus exercícios e rituais – e meditar, ou praticar outra forma de Gnose. Caso não queira entrar para alguma Ordem (Rosa Cruz, Astrum Argentum, várias outras), e não estou dizendo que isso depende só da sua Vontade, recomendo frequentar um Centro Kardecista, de Umbanda ou de Candomblé. Já recebi dicas valiosas de Entidades e Espíritos desses lugares, que são de contato um pouco mais fácil do que o povo de ordens esotéricas, que exigem iniciação, pagamentos, e assim por diante –   conta também que essas Entidades têm por missão a caridade e ajuda espiritual, e por isso o contato é mais facilitado… embora conversar de verdade com uma não seja tão simples assim.
Recomendo também, se tiver tempo e disposição, praticar Yoga, Tai Chi Chuan, ou alguma arte marcial que goste, para trabalhar a relação corpo-mente. Como fala o Pai Nosso, “Assim na terra como no céu”, ou que o corpo é o Templo do Espírito Santo, nosso corpo é um microcosmo que representa o Universo. Se nós não o dominarmos, jamais conseguiremos passar do primeiro degrau.
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Com as defesas devidamente prontas – não que você saiba exatamente quando precisará delas – é hora de aumentar o alcance da sua magia. O método mais importante é o Servidor. Servidor é como um Sigilo, mas que ao invés de ser banido, deve ser alimentado, ganhar força e continuamente realizar seu trabalho mágico em uma situação ou área específica. Assim como os Sigilos, não há limites para Servidores.
Da mesma forma que você pode criar um Servidor para te ajudar a comprar um carro ou chegar ao posto de diretor da empresa onde trabalha, pode ter um Servidor para te ajudar como Oráculo, a lembrar de sonhos, na cura e em outros aspectos da sua vida. Ué, mas um Sigilo não dá conta de tudo? Bom, não! Não existe regra ou matemática exata envolvida, mas um intento mais trabalhoso e com efeitos de longo prazo exige mais energia para ser realizado. Como tratamos de micro e macrocosmo, pensemos em termos de corpo humano: para pegar o controle remoto no sofá ao lado você não utiliza a mesma energia que usaria para correr uma maratona ou o esforço energético mental de resolver exercícios complexos de álgebra linear. É simples de entender.
Então, Sigilos como método em si, são eficientes, mas existem inúmeros intentos que nem a energia de uma orgia tantra hindu podem ser resolvidos com sigilização. Por isso existem Servidores. Se com Sigilo existe uma metodologia bastante difundida e usada, com Servidores a Magia começa a ficar subjetiva, justamente por se incorporar no dia-a-dia e não simplesmente estar inserida no Teatro da Magia.
O primeiro passo para criar um Servidor é estabelecer o nome dele. Geralmente o nome é um mantra que lembra ou é derivado do amplo intento que você busca com ele. CURIANTO pode ser uma palavra de poder para denominar um Sigilo de cura, nome que nada mais é do que uma derivação de “cura no ato”. FAUNDY para um Sigilo que o ajude a achar coisas perdidas pelo mundo – desde suas chaves a tesouros de piratas africanos -, entre outros nomes. Enfim, fica a sua escolha, deixei a criatividade entrar na jogada.
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A chave é criar Correspondências entre o seu Servidor e as Energias que você busca alcançar e direcionar. A essa altura, manjar um pouco de Kabbalah, Astrologia e Mitologia ajudará para criar um servidor fortão e pronto pro trabalho, o consagrando nas janelas de proximidade de cada planeta e constelação, e utilizando metais e outros itens correspondentes ao que você deseja. É uma questão de ter conhecimento.
Agora é hora do momento RPG: se quiser, crie uma personalidade para ele, uma história e trabalhe nas correspondências. Cores e símbolos que o fortalecem e estabeleça a ritualização correta para acessar os resultados do trabalho dele. Isso é MUITO importante para tê-lo forte. Já jogou Black e White 2 e fortaleceu a sua besta até ela querer devorar todos os habitantes da aldeia?! É mais ou menos isso.
Pode ser o que você quiser, desde técnicas clássicas como falar o nome dele em frente ao espelho três vezes com a luz apagada, até simplesmente desenhar o símbolo da molécula de hidrogênio no dedão do seu pé esquerdo e olhar para ela continuamente. O importante é ter um pequeno ritual sacralizado para canalizar a energia dele. Daí pra frente pise no acelerador: crie um Sigilo Pictórico e o carregue com as técnicas do texto anterior, estabeleça dias específicos para energizar o Servidor de acordo com o objetivo dele – a Estrela Setenária e suas correspondências por dia da semana e horário do dia para cada signo ou planeta tornará a tarefa mais fácil. Por exemplo: se é um Servidor de Comunicação ou de ajuda com a sua Consciência Mágica, o melhor dia é o de Mercúrio, ou Terça-Feira, cor laranja e assim vai.
Um fator de suma importância: crie um ponto fraco pro seu servidor e o anote com todas as letras. Como disse anteriormente, os caminhos da Magia nem sempre são os mais fáceis e por isso talvez você desejará abortar o trabalho do seu Servidor. Por isso, se o seu Servidor começar a te prejudicar, não tenha medo de puxar a descarga e transforma-lo em poeira Astral. É importante ser um ato simples de se fazer e lembrar, mas mesmo assim, que você não o faça corriqueiramente para não destruir o Servidor em um momento que não queira.
Outra coisa importante é ficar sempre atento ao trabalho dele. Alguns magos já relataram, por exemplo, que criaram um Servidor de inspiração e boas ideias – nesse caso recomendo criar uma personificação de uma Musa, mas isso é outro capítulo – e acabaram por se tornar dependentes dele, o que é sempre perigoso. Por isso o ponto fraco. Pode ser a queima do papel onde está desenhado o Sigilo dele, falar o nome dele invertido duas vezes, é só escolher algo que faça sentido para você mesmo.
Finalmente, Eu recomendo o uso de um objeto físico que tenha relação com seu Intento para representar o Servidor. Se for um Sigilo para lhe dar “sorte”, pode ser um dado de RPG de 20 lados, ou uma moeda com grande significado para você. Pode até ser algo antropomórfico esculpido por você, com barro, ou com pedaços de sucata. Criatividade, amigo. Você a tem e é pra isso.
Com o Servidor devidamente construído, com personalidades, símbolos e tudo o mais criados, é hora de usa-lo. Eu geralmente crio um Ritual específico para dar vida a ele. Um bom ritual pode ser feito com incenso, a defumação do objeto físico – se não tiver, pode ser uma folha de papel com o Sigilo do Servidor -, para após levanta-lo junto a testa e proclamar seu nome, o nome dele, junto com seu Intento. Deixe o incenso queimar até o fim e fique em meditação enquanto isso. Dá pra incrementar isso com perfumes, óleos e até fluídos corporais – se for entrar nessa, recomendo usar os próprios fluídos, uma técnica bastante efetiva, devo acrescentar.
Mentalize o Sigilo dele, acenda umas velas para ele com as técnicas que ensinei anteriormente, coloque eles pra trabalhar e veja o resultado. Lembre-se: encha-os de energia, e isso exige preparação, é como correr uma maratona. Anote tudo em um livro separado, nome do Servidor, simbologia, rituais, resultados… TUDO. Esse é seu Grimório, o Livro dos Espíritos.
No próximo capítulo: Templo Astral, Sonhos, Armas Mágicas, o que representam e por que são importantes.